Conversa Gráfica

exposição no Museu Florestal Octavio Vecchi

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o projeto CONVERSA GRÁFICA

Em 2011, durante um trabalho artístico promovido pelo projeto Diálogos, cujo foco recaía sobre as matrizes gravadas da Escola de Xilografia do Horto, pertencentes ao Museu Florestal Octavio Vecchi, constatou-se em seu acervo um grande número de tacos apenas desenhados (alguns poucos parcialmente gravados). Os tacos de madeira de guatambu-rosa encontram-se em vários estados de conservação, alguns com um grande desgaste do fundo preparatório, onde o desenho a grafite divide seu espaço com o desenho da própria madeira. Há poucas informações sobre os autores desses desenhos, já que a maior parte dos tacos não apresenta qualquer assinatura ou identificação.

Os tacos chegavam às mãos desses alunos, os aprendizes xilógrafos, da marcenaria já cortados, plainados e lixados, que finalizavam o trabalho com lixas de grão mais fina e faziam a preparação do fundo branco: com a palma da mão era espalhada, mais de uma vez, uma fina camada da mistura de óxido de zinco e goma arábica na consistência de uma pasta maleável. Assim adquiriam uma base branca que permitia distinguir melhor as nuances tonais de linhas e manchas e que não oferecia resistência aos instrumentos de gravação nem atrapalhava o corte.

Segundo um dos alunos da escola, Luiz Fernandes, que frequentou as aulas de 1940 a 1943, havia duas formas de trabalharem com o desenho: algumas vezes recebiam a madeira já desenhada pronta para gravar, outras vezes eles próprios repassavam desenhos, realizados por outra pessoa em uma folha de papel vegetal, para a madeira. Mas há também um depoimento de Maria Elizabeth Veiss, desenhista botânica do Instituto Florestal, também formada por Kohler, que sugere ter havido desenhistas exclusivamente responsáveis por esse preparo da matriz e da imagem a ser gravada.

Os desenhos eram feitos a lápis, com grafite de dureza média a alta, para serem interpretados ou traduzidos para a linguagem dos cortes de buris e goivas, ou seja, não eram indicativos diretos ou literais do tipo de corte a ser produzido – toda gradação tonal do desenho a grafite equivaleria a uma sintaxe linear própria da gravura em relevo.

Para expor essas indagações sobre a autoria dos desenhos, mas principalmente para reunir e divulgar essa coleção, optou-se agora por prolongar o projeto Diálogos, realizando segunda versão de uma mesma proposta: contatar, registrar e tornar mais acessível um acervo imagético importante, que é história viva da cidade, do país e do mundo, ligada ao contemporâneo através dos trabalhos de colegas artistas, convidados a conversarem com esse acervo de desenhos e a trazerem a público novas imagens.

Cleber Alexsander, Gilberto Tomé, Maria Pinto e Maura de Andrade

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